Governo moçambicano anuncia investigação sobre alegada corrupção na compra de aviões
O ministro dos Transportes e
Comunicações de Moçambique, Carlos Mesquita, disse hoje que o seu Governo vai
apurar a veracidade das informações sobre alegada corrupção na compra pelas
Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) de aviões Embraer.
"O Governo poderá sem,
dúvida, aferir esses valores [das comissões], através dos relatórios, dos
processos aquisição [das aeronaves] e ver exatamente qual é a verdade que
existe nessa informação", afirmou Mesquita, em declarações aos
jornalistas, à margem da reunião do Comité Central da Frente de Libertação de
Moçambique (Frelimo, partido no poder), que decorre na cidade da Matola,
província de Maputo.
As autoridades judiciais
moçambicanas, prosseguiu o ministro dos Transportes e Comunicações, darão o
devido tratamento a eventuais indícios da prática de crime na compra dos
aviões.
"Ainda não temos evidências
absolutamente nenhumas, eu próprio vi esse artigo [sobre alegada corrupção]
através das redes sociais", declarou Carlos Mesquita.
A empresa brasileira Embraer
está a ser investigada nos Estados Unidos por ter supostamente pago subornos
para vender aeronaves em Moçambique, noticiou quinta-feira o jornal brasileiro
Folha de S.Paulo.
O Departamento de Justiça dos
EUA investiga irregularidades cometidas pela Embraer desde 2010, quando
descobriu pagamentos criminosos efetuados na venda de aviões militares para a
República Dominicana.
As suspeitas sobre o pagamento
de subornos em Moçambique, que eram mantidas sob sigilo pelas autoridades
norte-americanas até agora, seriam um desdobramento desta primeira investigação
na República Dominicana.
No caso moçambicano a fabricante
brasileira teria pago o suborno após vender dois jatos Embraer 190 para a LAM
(Linhas Aéreas de Moçambique), em 2008.
A LAM é controlada pelo governo
de Moçambique, que tem 80% das suas ações.
O jornal brasileiro informou que
a Embraer é acusada de pagar suborno em contratos firmados na Arábia Saudita e
Índia.
A empresa brasileira não quis
comentar o caso, mas num comunicado publicado pela Folha de S.Paulo referiu que
"desde 2011 tem informado publicamente que vem conduzindo uma ampla
investigação interna e cooperando com as autoridades competentes".
Sem dar detalhes sobre o
processo referente a venda dos aviões para a área de Moçambique, a Embraer
alegou que "expandiu voluntariamente o escopo da investigação, reportando
sistematicamente a evolução do caso ao mercado, e recentemente informou que está
negociando acordo com autoridades americanas".
Lusa/Fim

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