PGR quer aceder às contas de ex-PR Guebuza no âmbito da auditoria à dívida
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou cartas aos bancos locais pedindo
acesso às contas bancárias do antigo Presidente Armando Guebuza, no âmbito da
auditoria aos empréstimos contraídos de forma secreta por empresas públicas.
De acordo com a agência de
informação financeira Bloomberg, as cartas seguiram para os bancos e pedem
informação sobre as contas do antigo Presidente e outras 17 pessoas, para além
de uma instituição, que não é nomeada.
A porta-voz da PGR, Georgina
Zandamela, confirmou a veracidade da cópia das cartas obtida pela Bloomberg, e
diz que os pedidos são parte da auditoria em curso à dívida pública, que subiu
exponencialmente depois da divulgação de empréstimos de empresas públicas com
aval do Estado, que foram escondidas, no valor de 1,4 mil milhões de dólares.
O gabinete de Guebuza,
contactado pela Bloomberg, solicitou uma carta a pedir um comentário e disse
que uma resposta iria estar disponível dentro de 21 dias, o que coincide com o
prazo estipulado para a consultora Kroll entregar o relatório da auditoria às
autoridades.
A auditoria incide sobre
empréstimos realizados pelas empresas Ematum, Proindicus e MAM e avalizadas pelo
Governo, em 2013 e 2014 no valor de 1,4 mil milhões de dólares, a que se juntam
mais 727,5 milhões da emissão de títulos de dívida soberana que resultaram da
reconversão das obrigações corporativas emitidas pela Ematum.
Os empréstimos foram avalizados
sem o conhecimento da Assembleia da República e dos doadores internacionais.
A descoberta das chamadas
dívidas ocultas levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os principais
doadores internacionais a suspender a sua ajuda ao país, condicionando o reatamento
da ajuda à realização de uma auditoria internacional independente.

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