“Subida dos preços dos combustíveis visa eliminar um subsídio caro e ineficiente”
O
Fundo Monetário Internacional (FMI) já reagiu ao mais recente ajuste de preços
de combustíveis. Em comunicado, refere que em Moçambique, os preços dos
combustíveis têm estado geralmente abaixo do preço real do mercado e dos
praticados nos países vizinhos. Isto tem sido possível graças a um subsídio
para compensar as gasolineiras pelo diferencial entre os preços regulados de
venda ao público e os preços de importação destes produtos.
Mas
este subsídio, além de muito oneroso aos cofres do Estado, tem beneficiado aos
mais ricos, que têm os maiores carros e consomem em média muito mais
combustível. No entanto, os preços poderiam ter sido ajustados mensalmente,
porque o quadro legal em vigor já prevê um mecanismo automático de ajuste dos
preços a retalho em função, por exemplo, de variações dos preços de importação
e da taxa de câmbio.
Num
cenário de possível alta de preços no mercado internacional, o subsídio aos
combustíveis torna-se insustentável tanto para o Orçamento do Estado como para
as gasolineiras. No período 2012-2014, antes da queda dos preços do petróleo
observada nos últimos dois anos, os encargos do subsídio representavam por
volta de 1.1%-1.5% do PIB por ano. Se bem que, em 2015, se obteve uma poupança
de 0.4% do PIB com a queda dos preços internacionais do petróleo, uma
recuperação destes preços em 2016 fez ressurgir o subsídio com custos fiscais
da ordem de 0.25% do PIB, os quais teriam sido ainda maiores se os preços
domésticos não houvessem sido ajustados em Outubro de 2016. Este subsídio
também tem constrangido a tesoureira das gasolineiras, porque o mesmo vem sendo
pago com um ano ou mais de atraso.
Além
de muito caro, o subsídio ao combustível não protege com eficiência aos mais
pobres. Em geral, este subsídio é mal direccionado e beneficia de maneira
desproporcional as famílias mais abastadas. Devido aos elevados níveis de
pobreza em Moçambique e os reduzidos volumes de combustíveis que as camadas
sociais mais pobres consomem, os recursos gastos com este subsídio poderiam ser
muito melhor alocados em gastos sociais em saúde, educação e infra-estrutura
básica.
O
Governo decidiu deixar os preços dos combustíveis atingirem os níveis de
mercado gradualmente desde Outubro do ano passado. Espera-se, por isso, que
mais ajustes tenham lugar no futuro.

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