Depreciação do metical agrava prejuízos da Aeroportos de Moçambique em 300%
Os
resultados da empresa Aeroportos de Moçambique no exercício de 2015 continuaram
a ser significativamente afectados pela depreciação do metical face às
principais moedas de referência, o que resultou no seguinte: o prejuízo da
empresa aumentou dos 751,960,512 meticais registados em 2014 para 3,004,156,883
meticais (aumento em 300%), fortemente ou quase na totalidade influenciados
pelas variações cambiais desfavoráveis.
De
acordo com o Relatório e Contas da empresa, referente a 2015, e que foi
publicado esta semana, o volume de negócios, em 2015 registou um crescimento de
22% comparativamente a 2014. Trata-se de um crescimento “largamente
influenciado, pela apreciação do dólar face ao metical dado que as taxas
aeronáuticas são indexadas em dólares.
O
documento indica ainda que os custos operacionais tiveram um crescimento de
14%, como consequência do crescimento acentuado dos custos com depreciação dos
activos tangíveis (40%).
Em
termos de resultado financeiro a Empresa registou uma perda de 2,695,269,996
meticais resultante da soma das perdas e ganhos cambiais não realizados até ao
final do exercício económico de 2015. O Relatório e Contas da empresa
Aeroportos de Moçambique revela que se tratando de perdas não realizadas, esta
situação pode vir a reverter-se no futuro, dependendo da evolução do câmbio das
moedas de referência.
Tráfego aéreo caiu 4.1%
No
sector de Transportes e Armazenagem registou-se um crescimento de 4.3%, o
desempenho global do sector de transportes foi influenciado pela interrupção
durante 30 dias, do tráfego de pessoas e de mercadorias entre as regiões Centro
e Norte do país, como consequência do corte, pelas cheias, em Janeiro de 2015,
da Estrada Nacional Nº1, em Mocuba, na Zambézia.
O
tráfego aéreo de passageiros por companhias nacionais registou uma redução na
ordem de 4.1%, tendo sido transportados 756.2 milhões de passageiro-quilómetro
contra 788.8 milhões de passageiros transportados em 2014. Explica esta
redução, a depreciação do metical, moeda nacional, em relação ao dólar
norte-americano que contribuiu para a retracção da procura; o aumento da
procura do transporte rodoviário em resultado da expansão e melhoramento da
transitabilidade na rede viária, bem como o aumento da frequência de voos de
operadores estrangeiros como sejam a Etiopian Airlines, a Turkish Airline,
Qatar Airways e Kenya Airways.
Endividamento cresceu 18%
O
rácio de endividamento da Aeroportos de Moçambique cresceu 18%, em comparação
com 2014. Esta situação resulta dos créditos obtidos junto ao Deutshe Bank,
AFD-Agência de Desenvolvimento Francesa, Standard Bank e Moza Banco.
Por
outro lado, a liquidez da Empresa caiu em cerca 35 pontos percentuais, sinónimo
da deterioração da capacidade da empresa em honrar com os seus compromissos de
curto prazo, a partir dos seus activos igualmente de curto prazo.
De
referir que no âmbito de exploração de infra-estruturas aeroportuárias, os
Aeroportos de Moçambique têm sob sua gestão quatro Aeroportos Internacionais
(Maputo, Beira, Nampula e Nacala), sete Aeródromos Principais (Pemba, Tete,
Lichinga, Inhambane, Chimoio, Quelimane e Vilankulo), nove Aeródromos
Secundários (Angoche, Bilene, Inhaca, Lumbo, Mocímboa da Praia Ponta de Ouro,
Costa do Sol, Úlongué, Songo).

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