Antigo Presidente da República diz que Moçambique deve inspirar-se em Machel para enfrentar desafios
Armando Guebuza considerou ontem que,
trinta anos após a morte de Samora Machel, os moçambicanos devem inspirar-se
nos ideais do primeiro Presidente do país para ultrapassar a difícil conjuntura
que o país atravessa.
"Os ideais de Samora
Machel devem permanecer como instrumento para fazer face aos desafios que
temos", disse à imprensa o antigo chefe de Estado, à margem das cerimónias
em Maputo do 30.º aniversário da morte do primeiro Presidente moçambicano,
falecido num desastre aéreo na África do Sul.
Destacando o compromisso como
povo nos ideais de Samora Machel, Guebuza disse que os fundamentos que
orientaram o primeiro Presidente de Moçambique permanecem úteis para o país.
"As ideias são como uma
linha que nos ajuda a encontrar o itinerário que temos de percorrer",
afirmou Armando Guebuza, chefe de Estado durante dez anos até Janeiro de 2015,
salientando que a identificação do caminho que um povo deve percorrer é a base para
a superação de qualquer desafio.
Moçambique atravessa um período
de crise, marcada pela subida do custo de vida, forte desvalorização do metical
face ao dólar e as consequências dos desastres naturais, comprometendo a
primeira época da campanha agrícola de 2016.
O país tenta recuperar a
confiança dos principais parceiros internacionais após a descoberta de
avultados empréstimos que foram escondidos das contas públicas e que fizeram
disparar a dívida pública para 86% do Produto Interno Bruto.
Além dos desafios económicos, o
país vive uma crise política e militar, marcada por confrontos entre as Forças
de Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana
(Renamo), maior partido de oposição.
Samora Machel morreu, com 34
membros da sua comitiva, a 19 de Outubro de 1986, quando o avião presidencial
em que seguia, um Tupolev de fabrico russo, se despenhou na localidade
sul-africana de Mbuzini.
As autoridades moçambicanas
mantêm até hoje a versão de que o avião foi derrubado intencionalmente pelo
então regime sul-africano do "apartheid" mas as investigações foram
inconclusivas.
SAPO

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